agosto 20, 2008
Rumores de Risos
Não me sacio de sentir
(ventura invisível
a distraídos)
por dentro
da minha alma tranquila
dentro de alguma distância
cumprida
talvez entre muros
entre mortes
entre nadas molhados
entre memórias
pedindo espaços veros
acalmando lágrimas
sobre rios
atónitos
desterrados
dormindo em quadros
espantados
calando dor
explodida
entre mãos
até ao fim
continuar batendo 72 x por minuto
necessariamente vivendo
suspensa
é esperar de pálpebras cerradas
adivinhando rumores de risos
íntegros
em dedos
lábios
tão leves
tão regressados
como noites quietas
olho
e algo respira
dentro do peito
misterioso
como o instante
das primeiras palavras
corcel fogoso
antes da lua
verdade galopada
nas raias do corpo
onde morro
onde renasço
paisagem a colorir
de passos
simples
imensa alvorada
isabel
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agosto 19, 2008
Ave Incerta
um só momento
rubro
de amor possível
e é minh'alma
radiante
que vês coada
no tempo derramado
em estrelas
do mar
o resto,
difuso violeta
da impossibilidade
longa
abrevia-se
numa vida
de ave incerta
na beira
da lua crescida
entre águas de alma
desassombrada, única
e o ofício de viver
sobram reflexos
entontecidos
mudos
habitando
o tempo
e eu não acabo nunca...
(estendo e chovo
mãos sós)
isabel
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agosto 17, 2008
olhares
os olhos falam calados
falam, gritam e sentem
pelos beijos retirados
á solidão, acre e sedenta
os olhos falam calados
de poemas por escrever
estrofes incertas e soltas
que á solidão vão colher
os olhos falam calados
por vezes até demais
expondo beijos molhados
loucos, distantes, reais
os olhos falam calados
palavras prenhes de ti
perdem-se os dias contados
nas palavras, que te li
(rui santos, junho 08)
Publicado por aga2 às 11:35 AM | Comentários (0)
mais
Mais
Que um sonho abafado
És a certeza
Do meu ser
Mais
Que um dia adiado
És um rio
A renascer
Mais
Que um ano, de palavras
Ou uma vida, sem querer
És um momento, sem tempo
Que corre
E faz correr
(ruisantos)
Publicado por aga2 às 11:33 AM | Comentários (0)
mar
mar
eterno e sedutor
encerra segredos
devolve mistérios
mar
união sem tréguas
de rios revoltos
renascidos
marés que vão
marés que trazem
dorsos ao luar
singelos
por navegar
mar
conta-me
mistérios prudentes
de marés nuas
em praias roucas
sentidas e doridas
ao luar
(ruisantos 07/08)
Publicado por aga2 às 11:32 AM | Comentários (0)
o amor não pede licença
és
mais que um sonho acordado
és, a vida a renascer
és
mais que um sorriso alado
és, um aroma que doi
e faz doer
és
mais que um sentir
desatinado, em mim
és
loucura serena, renovada
ponte em mares, cruzada
estrada florida, partilhada
rota, sem começo, nem fim
és
um presente, ausente
de pedaços trocados
és apenas
tu
e tanto és...
(ruisantos)
Publicado por aga2 às 11:31 AM | Comentários (0)
instantes
instantes
ilusões serenas
sediadas no manto diáfano do tempo
rompem manhãs de memórias
em devaneios opacos de razão
instantes
trocos, que a vida dá
pela essência da alma, nua
despudorada, renascente
que por instantes
esquece
que o instante
hábil, fenece
em ontem
escasso e débil
instantes
prelúdios do provir
anseios tresloucados de amor
deleitosos, em artes ousadas
nem sempre de razão
nem sempre são
o que são
instantes
rasgos da vida
cosidos no tempo
segredos levados
de sentires tragados
pela mão da razão
instantes
quais os teus?
ruisantos 07-08
Publicado por aga2 às 11:29 AM | Comentários (0)
por vezes
Só
Estou só
Vendo os sonhos que passam
Solidão
Sufocante, letárgica
Sedenta de vida
Colhe cores afoitas
Desdenha tristezas
Brotam sorrisos
Que enterram vencidos
“ Corro, corro
Fujo de mim
A noite e o dia
Trocam sem fim”
Retorno
Árida secura
De oásis, pontuada
Miragens seguras
Contidas, reais
Sim… entendo-as
Sorrio
Como devo
Finto as horas
Em rodopios inócuos
Roço o desejo
Do ter
O livro manda
Não obedeço
Rasgo a página
Salto sonos
Por doces palavras
Sentado no tempo
Escorro argumentos
Em fios de chuva
Descendente
Gritam
Estás só
Selo a porta pequena
Parto inseguro
Perco a margem
Subimos o rio
Ávidos de ses
Mas...
Sós
Não mais
(rui santos 0808)
Publicado por aga2 às 11:28 AM | Comentários (0)
livros trocados
Olho e nada vejo
Quero e não tenho
Quem sou? Que me condeno
Quem sou? Que te firo
Alma errante
Esvoaço em ti
Tenho
Palavras, por morada
Letras, por trilhos
Incompleto
Inábil de razão
De dias me sobro
De sonhos me visto
Vejo
Mares escarpados
Apetecíveis
Não me retenho
Toco águas, de Julho
Mais desejo
Em mais navego
Tolo
Parco de saber
Águas profundas, firmes
Plenas, constantes
E eu
Nada sou
Nada tenho
Apenas, esta força teimosa
De um caçador de livros
Trocados
ruisantos 0808
Publicado por aga2 às 11:25 AM | Comentários (0)
sabor ingénuo
felicidade
doce sabor ingénuo
ténue brisa da tarde
tesouro inocente, sem dono
amarras o gigante
despertas o simples
sem pudor, desnudas desejos
sem razão, sorves limites
felicidade
lança farpada
lâmina dupla
matas o medo
decepas a culpa
felicidade
quem és?
inquietas quem te quer
ris, de quem te segura
dona de ti
visitas sem hora
partes
se te despimos
felicidade
quem te teme?
que te nega a entrada
quem te teme?
por te perder
nos ecos da vida
felicidade
aroma fugaz
espelho de águas plácidas
respiro-te
vejo-te
leva-me
ruisantos 0808
Publicado por aga2 às 11:23 AM | Comentários (0)
o livro
passam os dias
passam as noites
leio instruções
decoro a página
capitulo primeiro
certezas inúteis
quarenta e sete razões para sorrir
uma
para não cumprir
quero rir
quero voar
quero ser eu
enlouquecer na miragem
dar o certo pelo incerto
cair
da noite adormecida
indolente, paralela
salvar o dia
enquanto é dia
partir
na certeza do incerto
lamber o sal, molhado
perder-me
em ruas abssintas
correr para nada
e para tudo
viver sofregamente
instante a instante
e dormir...
sem pensar
nos anos que perdi
nas noites de espera
pelos dias descalços
sensuais
apelantes de vida
trilhantes do ocaso
mas...
meus
como o livro
meu, também
que se perpetua
sem fim
rui santos 0808
Publicado por aga2 às 11:18 AM | Comentários (0)
dá-me a mão
“batem as asas, libertas
rumam sem rumo, mais além
ágeis, de vida incerta
instantes que o tempo tem”
dou-me
a quem me recebe
não me detenho
não me quero
sobrante de mim
partilho, sem portas
espero, loucuras
suporto, distâncias
nego, regras, benignas
quebrantes de sonhos
que em cinzentos zelosos
selam o dia
abraço o porto
ato-o á alma
feliz
pelos dias perfeitos
vividos de novo
e choro
as partidas, rasgadas
mas ficar
é negar-me
ao louco que sou
não me nego
não mais
não me detenho
não mais
volto á estrada
matizada de sabores
em rios que correm
sofridos
e retorno
á teimosa força
de ser, quem sou
ao teu encontro
vou
vem também
dá-me a mão
perde-te
em mim
“corpo de mar,
alterado, quebrado,
molhado
na ânsia de chegar"
ruisantos 0808
Publicado por aga2 às 09:47 AM | Comentários (0)
agosto 16, 2008
Respiro
cores de outras
ondas na desordem
aparente do mar,
em névoas prenhes,
cintilantes, alma, pluma,
sem palavras,
e a vida de múltiplas
asas, infatígável,
começando onde tudo é triunfo
onde moro?
na crista da onda
na cor do alto mar?
não o sei
respiro
silêncios
cúmplices
prateados
banhados
em luar
isabel
Publicado por aga2 às 07:51 PM | Comentários (0)
agosto 12, 2008
Odor
nada esquece
nesse odor de vida
esperança inteira
numa fronte absorta
sabor maduro
junto à alvorada
desterrada
insomne
solidão desfeita
desvanecida
na nuvem
e o primeiro sol
brota sangue
possível ondear
de lagos
olhos
varando sons
tingidos
na solidez
profunda
grande
do céu comovido
como vozes
em odes
intimamente puras
descalças
navegam brisas
brandas
rumando alma
na lembrança
isabel
Publicado por aga2 às 10:07 PM | Comentários (0)
agosto 11, 2008
Cais
deste cais sem tempo
não parto
(talvez não queira)
e não quero acordar
da tua memória
visível, companheira
suave que me penetra
como ondas sem leis
não parto de cais algum
mas caminhos fluem de mim
agudos
doridos como sementes
como se te buscasse
na minha existência
ou na imagem dela
oh desmedida partida de mim
onde as brumas
não obedecem ao tempo
feitas utópicos
renascimentos
onde tu seiva
musical
te abandonas
eternamente
nesse cais
de um azul imenso
de permanência
é esse o meu olhar
sobre a nossa
iluminada nudez
mais bela que todas
num cais nem de partida
nem de chegada
isabel
Publicado por aga2 às 10:01 PM | Comentários (0)
À Bolina
bolinar na poesia
ora alterosa
ora de mansinho
como corpo de mar
trespassando ondas
tangendo nostalgias
num imenso acordar
palavras líquidas
curvas alumiadas
odes às velas
desfraldadas
indiscretas
doces
como sangue
acres
como saudade
tanto mar a bolinar
isabel
Publicado por aga2 às 12:57 PM | Comentários (0)
agosto 10, 2008
Passadas
no caminho
profundo
há soluços
contidos
e são trechos
curvados
ressaltos
escondidos
mapa-mundo
oculto
entre montes
apertado
nesga de água
paladar forte
neste caminho
não desvendado
dou passadas
uma pós outra
como querendo
todas as manhãs
a diferença
como se sentisse
ainda
a tua presença
aguada
isabel
Publicado por aga2 às 07:42 PM | Comentários (0)
agosto 02, 2008
Jornada
sou
em poentes
e canto nascentes
à beira
erva fresca
ou montes doirados
searentos
sedentos de grinaldas
prados amanhecidos
flores inumeráveis
misteriosas
junto a ribeiros
silêncios alheios
ao fim
da jornada
isabel
Publicado por aga2 às 10:03 PM | Comentários (0)
julho 30, 2008
Ar
é tamanho
o coração
entre cumes
esquecidos
verdes
de natura
folhas improváveis
como
provas de amor
quisera ser ar
e agitar
depois
o espaço frágil
dessas folhas
sussurrantes
isabel
Publicado por aga2 às 09:57 PM | Comentários (0)
julho 29, 2008
Flor
urgência aguada
que destila das almas
escavadas
e sobre as lajes
do cais de chegada
falam sombras
que se não acabam
como gotas
tropeçadas
em carmim
e delas nasce a flor
do espanto
sem norma
sem pranto
eternamente
mortal
isabel
Publicado por aga2 às 07:46 PM | Comentários (0)
julho 25, 2008
Calo
na superfície dos meus olhos
reflectem-se sombras de ausência
assomam reais à garganta
sustenho-me
na alma rendida
de inocências obstinadas
sem jamais chegar
as pálpebras fecham-se
as palavras voam como nunca
em liberdade
no interior dos meus olhos
asas roçagando vindas comovidas
transparecem tremores de voo pleno
e o sonho vara fronteiras
habita a tua ausência
sem cansaço
calo um silêncio
esquivo
e não morro
voo no teu mapa
isabel
Publicado por aga2 às 10:00 PM | Comentários (0)
julho 23, 2008
Presença
sempre que parto
rebenta
em ondas
a ânsia
de voltar
ao amanhecer
das nossas
presenças
luminosas
e é na tela
das cores vibrantes
que brilha
o poema
que não consigo
escrever
e me detenho
na ternura da luz
silenciosa
e nunca parto
desta eterna aparição
que rompe noites
revela cores
da nossa invisível
clara presença
isabel
Publicado por aga2 às 10:20 PM | Comentários (0)
julho 21, 2008
Bagagem
levo a bagagem às costas...
e viajo numa gota de água
que me abriga
sem rasto
apenas ondeando
o meu desejo
esquecido
na sombra
de um salgueiro
alimenta
fluxos de muitas coisas
azuis
vogo
e a minha bagagem
sou eu
sem mim
oh, como cresce
o mundo
nesta gota espalhada
no deserto
ainda
isabel
Publicado por aga2 às 10:09 PM | Comentários (0)
julho 11, 2008
Pontes de Nenhumas Palavras
pátria
em que baixo os olhos
fome ferida
património apavorado
nas vorazes queimadas
de mato
insustentável
e na sombra crepitante
deste rumor
leve rumor
de asas adejando
mar dentro
olho
procurando novas
de alvoradas
outras
e ainda que eu não as veja
- momentâneamente baixei o olhar -
a noite entristecida
pelo infeliz devaneio
sustém
campos de luzes
suspensos
como pontes
de nenhumas palavras
atravessa-me o sonho
de ondas em crista
futuramente
cristalino
e desabito a dor
da fome
imaginando-a sem raízes
são longos céus repletos
de asas reais
na minha paisagem
atravessada
de primeiras letras
alfabeto semeado
derramando-se
em oceanos
cadentes
agasalhados
medrando
na alva lua
e no profundo sentido
das emoções diáfanas
(não compro paraísos
e acolho
a cegueira
do instante em que nasço)
isabel
Publicado por aga2 às 09:58 PM | Comentários (0)
julho 08, 2008
Inseparáveis
a densidade da tua presença
são impalpáveis
arrebatadas
inflamadas
provas
de amor
teu?
meu?
para sempre
aqui imersa
(essa pluma)
no regaço
da memória
recanto fugaz
do mundo
de encanto
enquanto luzes
tu
(chamejando caminhos meus)
em presença
desabitada
de ausência
suspendo-te
em socalcos
estremecidos
onde ainda não chegámos
na noite ou
no dia
dos fundíssimos desejos
da vontade gentil
que não possui
apenas é presença
indelével
enigmática
gentil
e as raízes
possíveis
são sortilégio
derradeiro
firme
humanamente inseparáveis
isabel
Publicado por aga2 às 10:06 PM | Comentários (0)
junho 20, 2008
Novas Ondas
saudade não é ficar
nas nuvens passadas
nem em dias usados
que não voltam mais
não é viver lá atrás
querendo aí ficar
como se o tempo
não corresse mais
e ficássemos cristalizados
sem mais emoções
saudade
é andar em frente
de sorriso rasgado
calor no peito desfraldado
hasteando bandeira
vivida
sentida
chorada
rida
ondeando a caminho do mar
levando lembranças
de momentos
gestos
olhares
beijos
ternuras
afectos
alentando novas ondas
erguidas
no horizonte ainda vasto
de tantos caminhos
por navegar
saudade
libertadora
isabel
Publicado por aga2 às 05:29 PM | Comentários (0)
junho 13, 2008
Dar às Águas
dar às águas
a limpidez
que lhes é natural
ainda se faz o caminho
nesta inequívoca lonjura
da vida
com acasos mordidos
beijos sábios, doloridos
olhos em visôes desfocadas
de tanto uso
dar às águas
seu leito natural
ilesas, gota a gota
ainda se tecem bordados
nas areias
das praias conseguidas
no limite ardente
de mares
marés enamoradas
estrelas do mar
húmidas
convocadas
pela espuma
da linguagem secreta
ainda a onda se não foi
e as sobras palpitantes
que nascem nos olhos
lançam sombras
conspiradoras
- haverá rasto? –
que não marcam presença
dar às águas
de súbito
a latitude testamentária da luz
ainda é cedo
ao sabor da aurora ofegante
apressada, excessiva
e o mar não naufraga
na dobra
do tempo que regressa
marulhado
aos olhos
movidos a serenidade
de águas
expressivas
dar às águas
o silêncio apaziguador
do (im)possível supremo
isabel
Publicado por aga2 às 11:40 PM | Comentários (0)
junho 06, 2008
Sem título
Há dias, em que fico a olhar para o tecto.
Horas perdidas, em pensamentos perdidos. Não me apetece nada. Nem estar com ninguém, nem rir, nem chorar, sequer.
Apenas, apagar a luz, e, deixar-me ficar no meu mundo, á espera. Á espera de qualquer coisa, não sei bem o quê.
Pelo menos não faço mal a ninguém. Deixo de existir.
Por uns minutos, apago-me, fujo do mundo. Tudo faz sentido, menos para mim.
É muito bom estar triste. Fico mesmo feliz quando encontro um verdadeiro dia de melancolia aguda. Agarro-me a ele com unhas e dentes, curto cada minuto, cada frase. Cada palavra ligeira, aprofundo, penso e repenso. Procuro o sentido escondido da vida.
Original, como sempre.
São os meus momentos de ouro. Partindo do zero, tudo tenho a ganhar, nada a perder.
Estar triste é a melhor defesa para a vida. Depois é uma questão de hábito, quando esse momento tende a desvanecer-se, nada melhor do que pensar em todas as pessoas que me rodeiam, e fiz sofrer, por ser como sou. Aí sim... é o expoente máximo da tristeza. Os sentimentos de culpa afundam a tristeza de tal modo, que até me dá medo. Eu, que até estou habitudo a estas coisas.
Nessas alturas vejo-me numa curva descendente, em espiral, num poço seco, de paredes apertadas, onde o fundo, nunca mais chega.
Porquê? Vezes sem conta interrogo-me. Porquê? Questões de amores? Questões de solidão? Ou apenas para que tenham pena de mim, e me dêem uma palmadinha nas costas, com um sorriso de conforto?
Hoje li uma pequena história, real, igual a tantas outras, que me socou, bem na ponta do estômago.
Envergonhou-me. Detestei-me. Mais uma vez.. Por olhar para o meu conforto de infelicidade.
Sempre tentei, não dar a conhecer, o meu profundo sentir.
Vou soltando uns ais, em forma de escritos. Não que queira agradar alguém, não que procure elogios, são apenas, gritos da alma, que a sociedade aceita como devaneios poéticos, mas, sempre foram mais que isso.
Pedaços de mim, também.
Hoje ao ler, mais uma história da vida, envergonhei-me.
Fiquei a pensar no valor da vida. No que desperdiço. No que faço desperdiçar, aos que me rodeiam.
Fiquei a pensar, em deixar de pensar.
O melhor é ir na corrente…Já cá andamos há uns milhares de anos, e somos uns milhões. Deve haver montes, resmas, paletes, de pessoas com vidas inimaginavelmente piores que a minha. E eu neste marasmo, olhando para o vazio, confortavelmente, triste.
Sorrindo, na minha tristeza acolhedora.
Ontem pedi um abraço.
Hoje peço que me acordem. Para a vida.
Quem me leu até aqui... é obra.
Por favor, sejam felizes, façam o próximo, também feliz.
Obrigado
aga2
Publicado por aga2 às 11:59 AM | Comentários (0)
junho 04, 2008
Velejando
o rio da minha aldeia
nasce no riso da montanha
desaguando
enfim
sem fadiga
brando
livre
e a noite
cresce no mar
o luar derrama-se
continuamente
na palavra navegada
velejando
feito mundo
onde a minha voz
canta a mesma energia
completa
das ondas
cabelos da fantasia
soltos
derramados
rumo à origem
leves
acariciando areias
numa confusão gloriosa
prateada
e o rio cresce no mar
isabel
Publicado por aga2 às 07:56 PM | Comentários (0)
hoje
o tempo de cada jornada
resgata-se vezes sem fim
levando em cada tirada
pedaços quebrados de mim
trocámos sonos, por sonhos
deitámos noites, no chão
pintámos auroras, sorrindo
quebrámos pedaços, de não
perguntámos sem medo
ao tempo
pelos poemas, a ler
pelos beijos, a dar
se os rios
ainda correm,
para o mar
e o tempo contou-nos histórias
de multidões de memórias
coloridas, sem par
de quando o tempo, sem tempo
parou, para sonhar
devaneios breves e doces
escritos soltos ao luar
levados por ventos loucos
salgados, de tanto chorar
e hoje
o tempo parou
para te ver sorrir
sorri, pois
pelos dias molhados
pelas noites sem luar
mas, acima de tudo
sorri
porque hoje
o tempo parou
por ti
agadois
Publicado por aga2 às 10:42 AM | Comentários (0)
junho 03, 2008
Para Além
ser lágrima
ou gargalhar
todo um caminho
de passos respirados
no assombro da vida
com tanta essência
que se identifica
no mundo
entre o céu e a aragem
cascata perene
de água
cantada
para além do tempo
no ritmo que inventa
desaguando
transbordante
de silêncios sacudidos
num dia quase perfeito
isabel
Publicado por aga2 às 10:03 PM | Comentários (0)
junho 02, 2008
Ilumino
ilumino o caminho
com candeias de sóis
transparentes
olho
e não sou a mesma
na noite de um astro
que se afasta
se aproxima
num afã que retira espelhos
e mergulha mais no tempo
na consciência
ilumino esta via
dentro de mim mesma
como se o tempo
ali me retivesse
e não houvesse idade
nem razão
como se esses sóis de mel
me pertencessem
e eu amanhecesse
inexoravelmente
sempre
na suavidade misteriosa
da terra
isabel
Publicado por aga2 às 10:35 PM | Comentários (0)
maio 29, 2008
Qual a Cor
colmato
a tua ausência
nas telas plenas de cor
alinhavo
sem o saber muito bem
palavras abraçadas
que cantem
e sorriam
este voo
incerto
que a minha fronte
abriga
escorrem
então poemas de água
únicos na essência
que se não rende
à mudez distinta
de cada dia
não é bom ficar na margem...
melhor entrarem os pés
primeiro
na espuma
pela correnteza fora
num vibrante caminho
de alma e carne
inventando outros mares
(sem praia e ela
tão cheia de ti)
na pincelada breve
na corrida de
algumas palavras
tentando ordenar
ventos
ondas
pergunto-me
qual a cor da tua ausência?
(se te sinto tão urgentemente?)
dir-me-ás: estou aqui
isabel
Publicado por aga2 às 10:09 PM | Comentários (0)
maio 27, 2008
Gargalhada
a luz invade sombras
transparece nas águas
liberta clausuras
catedral do espaço verdadeiro
e a gargalhada
na espuma
do ocaso
lava
restos turvos
no corpo voluntarioso
da lua
hoje nívea
derramada no campo
das esperanças
febris
como um templo
isabel
Publicado por aga2 às 10:25 PM | Comentários (0)
maio 25, 2008
Horizonte Enamorado
olhos absorvem
pés calcorreiam
horizontes chegados
e por nascer
e aqui perto essa
sólida rocha
plena de história
que não interroga
confia
na solidez dos sentires
imorredouros
é um caminho
aberto
largo
cheio de vida
como um fio de luz
todas as cores
todos os aromas
mundo-pessoa
na nudez singular
da verdade
horizonte enamorado
isabel
Publicado por aga2 às 01:37 PM | Comentários (0)
maio 23, 2008
considerações sobre um tema
O amor não acaba
Cresce, sai de casa
Trabalha, dorme
Descansa, brinca
Passeia á beira serra
Cai, magoa-se, grita,
Exaspera
Desespera na espera
Mas
Não acaba
Se intimida, sem mais
Então
Não é amor
Foi apenas
Um sucedâneo, do amor
Um devaneio, amoroso
Uma paixão, desbragada
O amor
Quando entra
Instala-se
Em cada nesga de espaço
E cada recanto
Tem o seu nome gravado, a carmim
Pelas batalhas, retalhadas a pulso
E o seu aroma, inconfundível
Responde a cada desafio
Se porventura
Toma imagem de ausente
Mero engano
Está lá
Distraído, absorto
Enredado em pensamentos enleados
Por vezes
Brincando
Apenas pelo prazer de brincar, e rir
E contagiando com seu riso
(quantas vezes a custo)
Amizades, verdadeiras
O amor
Aquele que faz morada em casa alheia
E a chama de sua
Esse
Sorri
Sorri, pela cumplicidade encontrada
De quem ouve em uníssono
O silêncio revelador de um olhar
O grito sussurrado de um beijo
O simples desejo, de sonhar
E quando a incerteza
Por mais certa que seja
Tenta franquear a entrada
O amor, sorrindo
Renova-se
Na face imutável de uma palavra
Que em silêncio, repete
Amo-te
Amor
É um sentir indefinível
Concreto e abstracto
Certeza inabalável
Que
De tão certa e segura
Quando a dúvida, bate á porta
vendo-o sorrindo
Sorri também
h2
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Vivo de Passos
dou passos pequenos
estremunhados
ao raiar sonhos
no mistério aguado
memória
de horas aprofundadas
fundidas na chama
da nossa imensa permanência
passos onde me demoro
em vales enamorados
e me detenho
em sossego
na carícia da cor
junto à garganta
simples
na respiração
sem acidentes
passos onde encontro
ondeando
a tua presença
clara
como o pássaro
que canta neste instante
o sol tímido
por entre ramagens
passos rasgando sombras
invadindo silêncios
tecendo rios de prata
no abraço
dos olhos nus
passos hesitantes
como quem vive
pela primeira vez
querendo
as horas enternecidas
de um calendário
que não acaba
em instantes
vivo de passos
no coração ancorado
nessa lua tua
tacteando aromas
imperceptíveis
e vivo
amadurecendo
como se nascesse
sempre
em sangue e em amor
isabel
Publicado por aga2 às 03:02 PM | Comentários (0)
maio 22, 2008
Papéis
visito a solidão
numa velha caixa
de sonhos tolos
inquietos
que me devoram
em ondas pálidas
nos papéis
escrevinhados
cansados
de tanta letra ardente
tanta voz inefável
prodígios
azuis ou rubros
ora serenos
ora alterosos
imobilizo-me
no grito invisível
como se não houvesse
mais nada
nem uma açucena
nem a suave brisa
estreito
o tempo
num soluço
de olhos
sem o conter
calado
isabel
Publicado por aga2 às 08:43 PM | Comentários (0)
Margens
reconstruo poemas
como vozes invisíveis
que se debruçam
nas margens
incógnitas
e o meu mundo
desagua no teu
caminho
todos dormem
e só eu sei
morrer
isabel
Publicado por aga2 às 01:03 PM | Comentários (0)
maio 21, 2008
Abafos
abafo quem és
o teu ser
como quem preserva
do frio
e ama sem medida
abafo-te como és
não a tua imagem
não o que se espera
mas apenas tu
na demanda de te encontrar
ora certo, ora interrogativo
não tendo tu senão
um dia sucedendo a outro
em passos hesitantes
que fogem à ilusão
sem equações certeiras
somente alma
diáfana
abafo-nos
na simplicidade
de quebrarmos a quietude
das normas
sem leis nem acertos
inebriados, intemporais
crianças
gozando sol
chuva
insaciáveis de olhares
sabores, saberes
aportando cais
desconhecidos
perdendo-nos
em ruelas
varando sinais
de proibição, castrantes
abafo-te
quando te alcanço
náufrago(s, ambos)
na bóia de salvação
e um sorriso te basta
no beijo trocado
no abraço desmedido
sem tempo
porque sim
porque é vida
vendo-te rir
saber-te a viver
constatar assim
que vale a pena
termo-nos dado
sem comos
sem porquês
abafo-te (insegura, eu)
por quem és
conveniente
até popular
não és mero companheiro
de viagens, olhares
ou afectos
sem rumo ou
sem metas
que se não alcançam
nem vogas nas marés
que te trespassam, incólumes
entre ti e mim
existe o fio da navalha
entre o que queremos
e o que nos é dado
abafo-nos, aos dois
como quem grita
(será que o amor acabou?)
isabel
Publicado por aga2 às 10:28 PM | Comentários (0)
Corpo
moro
num país sem nome
sem pulso
como pássaro
que se não quer
despenhar
e o teu riso
de asas
mora longe
efémera
morada
nos ares
surdamente interrompida
desamordaço
meu peito
arraso muros
destranquilos
nos teus silêncios
e eu
corpo separado
irreparavelmente
da total primavera
vejo-te
para lá das fronteiras
voejando
sem nunca partires
sem jamais chegares
isabel
Publicado por aga2 às 01:53 PM | Comentários (0)
maio 20, 2008
Náufragos
eis o mar
em que posso
deixar
de existir
abreviadamente
talvez
em esplendor
de ondas
que se erguem
como um só ser
cantando
silêncios
náufragos
em sonho
longínquo
impossível
isabel
Publicado por aga2 às 10:28 PM | Comentários (0)
maio 19, 2008
Prado
sou o que sou
e não arrumo nada
nem o que correu mal
nem o que de melhor aconteceu
umas para me lembrar do mau passo
outras para sorrir com agrado
sou a soma dos erros e dos acertos
então
vou pela vida
como um tributo
mesmo que o tempo me gaste
e solto
a espuma nas palavras
e o sangue
no fruto convertido
em muitos braços
abraços
como erva
num imenso prado
na vaga ilusão de ser só
ah, imenso relvado
fulgente
isabel
Publicado por aga2 às 02:10 PM | Comentários (0)
maio 18, 2008
Abandono
quando nos abandonamos aos outros
(isso
o último encanto
de estarmos sós)
é sinal de amor
e total esquecimento...
não importa o eu
(mesmo que eu prenda o mar)
entre braços invisíveis
vale o nós
e só a vida pode fazer sentido
(pedra de luz angustiada)
neste imenso cosmos
pejado de minúsculas estrelas
(o conjunto merece destaque!
a sós, nem transparece a verdade!)
isabel
Publicado por aga2 às 09:51 PM | Comentários (0)
maio 17, 2008
É
amar é
erguer o coração
mesmo na solidão
e saber que a noite
é pura
é andar de pés descalços
num recanto de luz
inocentemente faminto
amar é saber longe
quem alimenta a alegria da vida
e em humildade ficar na penumbra
imaginando que talvez
lá
brotem outros estrelas
amar é caminhar com a alma
pé ante pé
na paisagem que resta
é desprender-se da mordaça
renascendo
sem palavras
- impossível
o naufrágio -
amar
é saber de contentamentos
que não os nossos
e sabê-los de contíguos corações
amar é rir com...
chorar na angústia acompanhada
sorrir a despropósito
e isso ser
razão suficiente para se viver
ainda que um rio
separe as duas margens
elas resplandecem
na procura do paraíso oculto
esperando a claridade de todas as coisas
presentes no amor
amar é
a imprevisível presença
do outro
em todas as coisas
transparentemente
isabel
Publicado por aga2 às 10:33 PM | Comentários (0)
maio 16, 2008
Viço
abriga-se
no pensamento
de janela aberta
um sol misterioso
profundo
semelhante a impalpáveis
provas de amor
é na clara
ausência do mundo
fatigado
que se sucede
antes
o viço
da primeira flor
passeia-se
o começo
no bater do pulso
na clareza
assombrada
da madressilva
que cresce
nestas mãos
(como cheira
bem
este fulgor)
isabel
Publicado por aga2 às 10:15 PM | Comentários (0)
maio 15, 2008
Como Sempre Foi
não me quero adiar
nem mais um dia
nem mais um segundo
quero viver agora
o que ferve na agonia
da lágrima
quero o campo das estrelas
no lago dos teus olhos
como sempre foi
quero reparar
este erro de cortina branca
no cais da memória
como um rio
pela extensão do sofrimento
falo a verdade verdadeira
como sempre foi
isabel
Publicado por aga2 às 10:12 PM | Comentários (0)
desabafos
Gostava de ser quem sou
Não eu
Apenas eu
Aquele que escreve sonhos
E ama sem medida
Gostava de ser quem sou
Não quem penso ser
Não quem gostarias que fosse
Mas, apenas eu
Buscando quem me encontre
Pleno de dúvidas e certezas
De que nada tenho como certo
Apenas um dia a seguir a outro
E a permanente angústia
De que tudo é efémero, ilusão
Onde as sólidas certezas
Apenas são estados de espírito
Que o dobrar do dia, esfumará
Gostava de ser quem sou
Simples
Quebrando imagens, de sapiência
Queimando regras, de conduta
Trocando o certo, pelo incerto
Delicioso, irresistível
Como tu
Diamante eterno
Pedra sem anel
Insaciável de saberes
Em mares de sabores
Que me aportaste
Sem querer, sem saber
E perder-me, em conjecturas
De, se, e quando
Ao invés de como e porquê
Castrador, inibidor, prepotente
Gostava de ser quem sou
Mais um sobrevivente, na vida
Mais um lutador, sem ânimo
Mais um nome, numa sala cheia
Que te anima, com um sorriso
E sorri quando te beija
E te beija, quando te abraça
Sem hora, sem dia
Apenas porque, sim
Porque é necessário, imperioso, até
Saber-te rir
Saber-te viver
Saber, simplesmente
Que valeu a pena
Ter-me dado
Sem saber como
Nem porquê
Gostava de ser quem sou
Não quem tenho de ser
Certo, seguro, certeiro
Conveniente, cómodo, popular
Apenas um passageiro na vida
Partilhando pensares, sentires e afectos
Sem planos
Sem datas
Mordendo metas
Vogando ao som das palavras
Incontroláveis, escorregam de mim
Para ti
E quebrar, o equilíbrio precário
De quem posso ser
Sem ti
Gostava de ser quem sou
Alguém que chora em silêncio
Porque os homens não choram
agadois
Publicado por aga2 às 02:13 PM | Comentários (1)
maio 14, 2008
Sem Sombra
amanheço fogo
anoiteço lava
e entre as duas estações
vivo
o corpo
ilumino
a memória
o coração
febril
sobe à garganta
como um reino
de sangue
pulsante
ao sabor
dos céus
presentes
nos olhos
sem sombra
tem que ser
sem sombra
(o abandono
é fácil
se o anjo
se eleva)
isabel
Publicado por aga2 às 10:12 PM | Comentários (0)